Visitar a Reserva da Biosfera

Uma Jornada Única ao Coração de Cabo Verde

Esta ilha, abençoada com uma paisagem vulcânica deslumbrante e uma rica diversidade biológica, oferece uma experiência inigualável para amantes da natureza e aventureiros.

Ao visitar a nossa biosfera, você embarcará numa viagem que vai além do turismo convencional. Aqui, cada trilho, cada miradouro, cada praia e cada vale conta uma história única, narrando a relação harmoniosa entre o homem e a natureza. A Ilha do Maio é um exemplo vivo de como as comunidades locais, com respeito e dedicação, cuidam e preservam seu ambiente natural.

Convidamo-lo a explorar os encantos desta ilha, desde as sublimes paisagens da ilha até às tranquilas praias de areia negra. Descubra a flora e fauna endémicas, delicie-se com a gastronomia local rica em sabores vulcânicos e mergulhe na cultura vibrante dos locais.

A Ilha do Maio não é apenas um destino, é uma experiência transformadora. Venha descobrir por si mesmo o que torna esta ilha um dos tesouros mais preciosos de Cabo Verde.

Rumo a um Futuro Sustentável: Ilha do Maio Luta Contra o Plástico

A Ilha do Maio está a caminho de se tornar um exemplo na luta contra a poluição por plástico. Com a iniciativa ‘Ilha Livre de Plástico’, os moradores estão a mobilizar-se para reduzir o uso de plásticos descartáveis e aumentar a reciclagem. Escolas, empresas e organizações locais estão a juntar-se a este movimento, implementando políticas de zero plástico e promovendo alternativas sustentáveis. Este esforço colectivo não só contribui para a limpeza das nossas praias e preservação da biodiversidade marinha, mas também promove uma consciência ambiental mais forte entre os maienses.

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Compromisso Verde: Moradores da Ilha do Maio Unem-se para Proteger a Natureza

Na Ilha do Maio, a comunidade está a dar um passo à frente no compromisso com o meio ambiente. ‘Faça Sua Promessa pela Natureza’ é uma iniciativa que incentiva os moradores locais a adotarem práticas sustentáveis no seu dia a dia. Desde a redução do consumo de água até o cultivo de hortas domésticas, cada promessa é um passo em direcção a um futuro mais verde. Esta campanha não é apenas sobre acções individuais, mas sobre criar uma onda de mudança positiva em toda a ilha, reforçando o laço entre a comunidade e o ambiente natural que a rodeia.

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Criando as condições para que as pessoas e a natureza prosperem juntas

Visitar a Reserva da Biosfera

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Os Roteiros de Turismo Sustentável para as Reservas da Biosfera da UNESCO dos países da CPLP, são instrumentos que reúnem informação atual de particular interesse para o turismo e onde se concilia a preservação ambiental com a promoção de experiências autênticas e se estimula um impacto significativo nas comunidades locais. 

As Reservas da Biosfera, são locais muito característicos do ponto vista natural, apresentando uma elevada riqueza no que concerne à biodiversidade, às paisagens e à geologia, onde a implementação de práticas turísticas sustentáveis visa assegurar a beleza natural e cultural destes territórios.

A implementação de um modelo de governança robusto nas Reservas da Biosfera é de vital importância para garantir o cumprimento dos objetivos propostos pela UNESCO e para enfrentar os desafios ambientais e sociais contemporâneos.

O modelo de governança das Reservas da Biosfera da UNESCO, deverá por um lado garantir a conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas e por outro garantir a compatibilização das atividades humanas com a preservação da natureza a longo prazo. A governança das Reservas da Biosfera da UNESCO, pressupõe a promoção do desenvolvimento sustentável, através de uma abordagem integrada, onde as necessidades económicas das comunidades locais e a introdução de práticas sustentáveis, impulsionam a economia local, melhora a qualidade de vida e a fixação das populações e promove o desenvolvimento regional. A implementação de um modelo de governança eficiente facilita a cooperação entre as diferentes partes interessadas, incluindo governos locais, organizações não governamentais, comunidades locais e o setor privado. O networking e as parecerias por sua vez, promovem a troca de conhecimento, de experiências e melhores práticas, permitindo a implementação de estratégias mais eficazes para a gestão das Reservas da Biosfera ao nível local, nacional e internacional. A gestão das Reservas da Biosfera deve incluir a participação ativa das comunidades locais na tomada de decisões, possibilitando a contribuição do seu conhecimento tradicional, implementando práticas de gestão sustentável e assegurando benefícios diretos para essas comunidades a partir dos recursos naturais disponíveis. A presente condição climática impõe desafios permanentes à gestão das Reservas da Biosfera, direcionando a administração dessas áreas para a aplicação de estratégias eficazes de adaptação, mitigação e redução de impactos.

O desenvolvimento dos Roteiros de Turismo Sustentável para Reservas da Biosfera foi uma tarefa complexa que exigiu a colaboração de vários parceiros, incluindo os gestores das Reservas da Biosfera envolvidas, governos locais e organismos de conservação. A dificuldade na obtenção de informações por parte de alguns parceiros condicionou parcialmente, a eficácia na elaboração dos Roteiros de Turismo Sustentável das Reservas da Biosfera. As dificuldades foram sendo ultrapassadas ao longo do projeto, através do trabalho coletivo, resultando na obtenção de informações relevantes, com a exceção da Reserva da Biosfera Bolama-Bijagós, que demostraram muitas dificuldades de colaboração. Consideramos que a implementação de medidas colaborativas e a promoção de uma cultura de transparência são fundamentais para superar estes desafios e garantir o desenvolvimento sustentável do Turismo nessas áreas especiais.

Este documento integra quatro Reservas da Biosfera da UNESCO, de três países da CPLP, nomeadamente, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

O Turismo e a Humanidade

O turismo tem uma origem muito antiga, com registos desde a Grécia Antiga, onde as pessoas visitavam Delfos para consultar o Oráculo, enquanto em Itália, as multidões dirigiam-se ao Coliseu para assistir aos gladiadores.

Ao longo de toda a Idade Média, as peregrinações religiosas eram uma forma comum de turismo. Os cristãos viajavam para locais sagrados, como Jerusalém e Santiago de Compostela, em busca de experiências espirituais.

Mais recentemente, no Renascimento surge o interesse pelas artes e pela cultura, onde jovens aristocratas britânicos, no século XVII, “embarcavam” no Grand Tour, para explorar e vivenciar as belezas culturais e históricas, na Europa.

No século XIX, a expansão das ferrovias, tornou o turismo mais acessível e cada vez mais apetecível. As pessoas podiam viajar mais facilmente, surgindo os primeiros destinos turísticos populares, como as montanhas suíças e as praias da Riviera Francesa.

No início século XX, os cruzeiros ocuparam um nicho de mercado muito importante, tornando-se muito populares, proporcionando aos viajantes uma maneira luxuosa de explorar várias localidades e países. O naufrágio do Titanic, em 1912, afetou a indústria por um período não muito longo, tendo recuperado rapidamente, constituindo atualmente uma das opções de viagem mais procuradas e com uma oferta diversificada mundialmente.

Hunziker and Krapf (1942) definiram “Turismo é o conjunto das relações e dos fenómenos produzidos pelo deslocamento e permanência das pessoas fora de seu local de domicílio, sempre que ditos deslocamentos e permanência não estejam motivados por uma atividade lucrativa”. 

Com o termo da Segunda Guerra Mundial, assistiu-se a uma rápida evolução da aviação comercial, onde a oferta de viagens aéreas não parou de aumentar até aos nossos dias. As viagens aéreas tornaram-se cada vez mais fáceis e acessíveis, permitindo que mais pessoas explorassem destinos distantes e exóticos. O surgimento das companhias low-cost, associado à democratização do turismo, contribuiu para a massificação do turismo, sobretudo nos períodos de verão, cidades e territórios com oferta cultural relevante, em ilhas e regiões costeiras. 

Atualmente, a era digital imprimiu um avanço inigualável ao sector do turismo, permitindo a realização das reservas online, a consulta às avaliações dos turistas, o acesso a blogs de viagem, e uma oferta cada vez mais diversa, inovadora e acessível, a todos os que desejam viajar.  A digitalização moldou o modo como as pessoas planeiam e experimentam as suas viagens, assim como o modo como os empresários do sector gerem os seus negócios.

A extensão do termo Sustentabilidade ao Turismo, foi um marco assinável, quando na sequência da Cimeira Mundial do RIO em 1992, se assumiu o papel do turismo no Desenvolvimento Sustentável. O conceito de turismo sustentável, surge da necessidade de incutir neste sector económico os princípios da sustentabilidade, ao nível ambiental, sociocultural e económico. Em 2017, Ano Internacional do Turismo Sustentável das Nações Unidas, demonstrou a necessidade de alinhar o turismo de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), através de uma oferta suportada por experiências autênticas, com práticas empresariais que preservem o ambiente, incorporem e beneficiem as comunidades locais e que promovam o crescimento económico dos territórios. 

O turismo atualmente desempenha um papel muito importante na economia mundial, contribuindo com 1/10 empregos em todo o mundo e a conexão entre diferentes culturas. Podemos afirmar que a evolução do turismo deu origem a oportunidades de viagem únicas e acessíveis, para pessoas de todas as origens.

O Turismo nas Reservas da Biosfera da UNESCO nos países da CPLP

Os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), contemplam uma rica diversidade cultural, paisagens deslumbrantes e experiências autênticas.

Explorar o turismo nos países da CPLP, inclui a oportunidade de descobrir a beleza natural e cultural, mas também de participar e apoiar iniciativas em linha com o turismo sustentável, contribuindo para o desenvolvimento económico, a melhoria das condições de vida das comunidades locais e da sua incorporação na atividade turística, assim como contribuir para a preservação do ambiente e dos recursos naturais, destes países. 

Os Roteiros de Turismo Sustentável das Reservas da Biosfera da UNESCO, dos países da CPLP, constituem um contributo significativo a dois níveis, por um lado ao nível da comunicação, transmitindo informação relevante, atual e credível sobre o que cada uma destas Reservas da Biosfera tem para oferecer e por outro, permitindo a cada turista assimilar a informação disponibilizada e assim poder planear e construir a sua experiência, no período e época que lhe for mais conveniente.

As Reservas da Biosfera da UNESCO são áreas que buscam equilibrar a conservação ambiental, o desenvolvimento socioeconómico e a investigação científica, as quais suportarão a tomada de decisão.

O Turismo sustentável nas Reservas da Biosfera da UNESCO é uma abordagem inovadora que busca preservar a biodiversidade e os ecossistemas, aportar benefícios diretos para as comunidades locais, preservar o património cultural e contribuir para o desenvolvimento económico sustentado, enquanto promove experiências significativas para os turistas. 

No que respeita à conservação da biodiversidade, o turismo sustentável nas Reservas da Biosfera da UNESCO, prioriza a proteção da diversidade biológica, através da implementação de medidas criteriosas de gestão do número de visitantes, do desenho de trilhos e regulamentação que visam minimizar o impacto negativo na fauna e na flora, permitindo compatibilizar a convivência humana com a vida selvagem.

Nas Reservas da Biosfera da UNESCO, o turismo sustentável contempla o envolvimento ativo das comunidades locais. Os habitantes das Reservas da Biosfera participam ativamente no desenvolvimento e implementação de boas práticas turísticas, nomeadamente ao nível cultural e ambiental, garantido o benefício económico das comunidades locais.

A Educação Ambiental, complementa a oferta turística disponibilizando programas educacionais para os turistas que visitam as Reservas da Biosfera. Assim, com a intenção de criar uma consciência ambiental nos turistas, algumas destas atividades incluem a visita a trilhos interpretativos, centros de visitantes e atividades guiadas que fornecem informações sobre a importância da biodiversidade, dos serviços dos ecossistemas e implementação de práticas sustentáveis. 

Tendo sempre em consideração a implementação de um modelo de desenvolvimento sustentável nas Reservas da Biosfera, o turismo nestas áreas é concebido para ser economicamente viável, inovador e competitivo, com benefícios diretos para as comunidades locais e preservando o ambiente. Os projetos de turismo sustentável frequentemente apoiam iniciativas de desenvolvimento comunitário, como a criação de cooperativas, promovendo produtos locais e incentivando práticas agrícolas sustentáveis.

As Reservas da Biosfera são laboratórios naturais para a investigação científica. As iniciativas no âmbito do turismo sustentável são uma fonte de financiamento importante para projetos de investigação e que complementam a oferta turística, contribuindo para que os turistas tenham a oportunidade de participar em programas de monitorização da vida selvagem, recuperação de habitats e outros estudos ambientais, bem como estudos de carácter sociológico, cultural e de natureza económica.

A oferta turística nas Reservas da Biosfera, obedece ao cumprimento dos princípios da sustentabilidade, pelo que o controle do número dos turistas é uma medida fundamental, para evitar a superlotação, minimizar os impactes ambientais, os impactes sobre as comunidades e a degradação do património histórico-cultural. 

Cada país da CPLP oferece uma jornada única, enriquecida pela herança linguística compartilhada e pela diversidade de paisagens e culturas. 

Os Roteiros de Turismo Sustentável incluem as Reservas da Biosfera das ilhas do Fogo e do Maio em Cabo Verde, Bolama-Bijagós na Guiné-Bissau e da ilha do Príncipe em são Tomé e Príncipe. Destacamos alguns dos elementos mais emblemáticos nestas Reservas da Biosfera, nomeadamente a biodiversidade, as paisagens, as praias, os vulcões, a morna e as gentes de Cabo Verde. Em São Tomé e Príncipe, as florestas tropicais exuberantes, as plantações de café e de cacau, a hospitalidade calorosa e a riqueza de paisagens e a biodiversidade. A Guiné-Bissau com uma extraordinária herança cultural e uma paisagem que varia de praias a savanas, a Reserva da Biosfera Bolama-Bijagós constitui um local privilegiado para o turismo.

Metodologia

Os Roteiros de Turismo Sustentável das Reservas da Biosfera dos Países da CPLP, visam disponibilizar informação detalhada e atual sobre os territórios classificados como Reservas da Biosfera da UNESCO. 

A recolha de dados seguiu uma metodologia exploratória qualitativa. Além disso realizaram-se reuniões mensais com vista à discussão e recolha de informação secundária, nomeadamente, artigos, livros, informação online e fotografias. Complementarmente foram enviados a cada um dos pontos focais de cada Reserva da Biosfera, um questionário e uma tabela para a recolha de informação relevante sobre cada território.

A nossa abordagem compreendeu várias etapas. A primeira está relacionada com o contacto com os pontos focais das Reservas da Biosfera (RB). Estas reuniões realizaram-se de forma online. Nestas reuniões apresentou-se o plano de trabalhos, os temas a desenvolver e o formato dos Roteiros Turismo Sustentável. A cada ponto focal de cada Reserva da Biosfera foi solicitado que preenchesse um quadro onde deviam mencionar os elementos que consideram mais importantes na sua RB (gastronomia, eventos religiosos, eventos culturais, paisagens, biodiversidade, artesanato) e que todos os visitantes devem imperiosamente experienciar numa ou noutra ocasião. (Anexo A)

A segunda etapa contempla a elaboração de um questionário dirigido aos pontos focais de cada uma das Reserva das Biosfera onde se pretendeu recolher informação detalhada sobre a realidade de cada RB. Pretendeu-se também e compreender a perceção sobre a importância do Turismo Sustentável para a sua Reserva da Biosfera, sobre a importância da inovação para estes territórios e respetivas atividades económicas. O questionário teve também por objetivo, recolher informação sobre o tecido empresarial e sobre a capacidade dos empresários para seguir um modelo de Turismo Sustentável, de incluir iniciativas inovadoras e melhorar a atratividade e competitividade do seu negócio e de cada RB. (Anexo B)

A terceira etapa contemplou a recolha de informação qualitativa disponível em websites de cada país, dossiers de candidatura, em folhetos, livros e outros documentos disponíveis, em formato papel e online.

Foi solicitado a cada Reserva da Biosfera a disponibilização de fotografias, para serem incluídas em cada roteiro, ao nível do património histórico-cultural material e imaterial, paisagístico, biodiversidade, gastronómico, artesanato e sobre os eventos mais importantes que se realizam em cada território. 

Durante as reuniões houve a possibilidade de conversar com os pontos focais de cada Reserva da Biosfera no sentido de sensibilizar para a importância da implementação de um modelo de turismo Sustentável nas Reservas da Biosfera.

A informação recolhida foi devidamente analisada e organizada, permitindo assim a elaboração dos Roteiros Turismo Sustentável das Reservas da Biosfera dos Países da CPLP.

Os Roteiros Turismo Sustentável das Reservas da Biosfera dos Países da CPLP visam, dar a conhecer estes territórios aos turistas e visitantes e foram elaborados de modo que cada turista e visitante com base em informação atual e credível, possa construir o seu próprio roteiro de acordo com a sua disponibilidade temporal e interesse pessoal.

O presente documento, apresenta quatro Roteiros Turismo Sustentável para as Reservas da Biosfera dos Países da CPLP pela seguinte ordem- Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe, Reserva da Biosfera da Ilha do Fogo, Reserva da Biosfera da Ilha do Fogo e Reserva da Biosfera Bolama-Bijagós.

Reservas da Biosfera da UNESCO

As Reservas da Biosfera (RB) da UNESCO são territórios que promovem o desenvolvimento sustentável, as atividades das comunidades locais e a conservação da natureza, suportadas pelo conhecimento científico. A “Conferência da Biosfera de Paris” organizada pela UNESCO em 1968, esteve na base da criação do Programa MaB em 1970-“Homem e a Biosfera” (Man and Biosphere – MaB).

As Reservas da Biosfera da UNESCO são territórios onde se privilegia a conservação da natureza e do património histórico-cultural e o desenvolvimento económico sustentado. Nas Reservas da Biosfera o apoio à educação e à investigação científica, estão na base da tomada de decisão e suportam a vontade expressa das suas populações. As Reservas da Biosfera da UNESCO promovem ações orientadas para a mitigação das alterações climáticas e para a conservação da biodiversidade e do património e o uso regrado dos recursos naturais. Assim, nas Reservas da Biosfera da UNESCO implementam-se práticas inovadoras de gestão conjunta de ativos naturais, de atividades humanas e a criação de oportunidades económicas sustentáveis.

Para a designação de uma Reserva da Biosfera da UNESCO existem critérios específicos que devem ser cumpridos e que assentam fundamentalmente na importância da conservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas e na promoção da atividade humana sustentável. A classificação Reserva da Biosfera da UNESCO consiste num processo participado dos atores locais, das autoridades públicas, das comunidades locais e do setor privado. Os programas de investigação, monitorização, educação e formação, nas Reservas da Biosfera da UNESCO desempenham um papel muito importante ao nível da função logística. 

A classificação Reserva da Biosfera da UNESCO permite o desenvolvimento de três objetivos principais: a utilização sustentada dos recursos, a conservação da biodiversidade e a melhoria das relações entre as pessoas e o seu ambiente.

As Reserva da Biosfera da UNESCO apresentam um zonamento em três níveis:

  • Zona núcleo – zonas com dimensão adequada, dedicadas à conservação da natureza a longo prazo, de acordo com os objetivos da RB, sendo constituídas por zonas já integradas na Rede Natura 2000 e no sistema de Áreas Protegidas;
  • Zona tampão – zonas envolventes das zonas núcleo, onde apenas são realizáveis atividades compatíveis com a conservação da natureza, constituindo um dos principais desafios técnicos à definição da estratégia de zonamento, dada a menor definição jurídica prévia de zonas com este estatuto;
  • Zona de transição – onde são promovidas práticas sustentáveis de gestão de recursos.

Assim, nas três zonas desenvolvem-se as três funções fundamentais: 

• Conservação- Conservação da diversidade biológica, das paisagens, das espécies e dos ecossistemas

• Apoio Logístico- Contribuir para a investigação científica, formação, educação ambiental e aplicação de modelos de desenvolvimento sustentável 

• Promoção do Desenvolvimento Sustentável- Fomentar o desenvolvimento económico e social sustentável em função das necessidades da população local

No seu conjunto, as Reservas da Biosfera da UNESCO formam uma rede mundial. Atualmente existem 748 reservas em todo o mundo, distribuídas por 134 países, incluindo 23 Reservas da biosfera transfronteiriças. As Reservas da Biosfera da UNESCO cobrem cerca de 5% da massa do planeta, onde a conservação da biodiversidade, a educação ambiental, a pesquisa e o desenvolvimento sustentável, são a base da sua existência.

Os países da CPLP contemplam 24 Reservas da Biosfera da UNESCO, 12, em Portugal (sendo 3 transfronteiriças com Espanha), 2 em Cabo Verde, 1 na Guiné-Bissau, 1 em São Tomé e Príncipe, 1 em Moçambique e 7 no Brasil.

Ilha do MAIO

A Ilha de Maio integra o grupo do sotavento, com um relevo muito suave e uma forma elíptica. A ilha do Maio situa-se a sul da ilha de Boa Vista e dista 25 km a este de Santiago. Possui um comprimento máximo de 24,1 Km entre a ponta de Cais do Norte, a norte, e a ponta Jampala, a sul, e uma largura máxima de 16,3 Km, entre a ponta Banconi, a este, e a ponta dos Flamengos, a oeste e uma superfície total de 269 km², representando 6.8% do território nacional.

Geomorfologicamente, caracteriza-se por possuir diferentes unidades vulcânicas, sendo o maciço central o elemento orográfico dominante. As principais elevações, distribuem-se na parte central da ilha, entre as aldeias de Morro, Pilão Cão e Pedro Vaz. Na parte Norte, entre as aldeias de Santo António e Cascabulho, encontram-se mais alguns montes. O Monte Penoso é o mais elevado da ilha, com 436 m de altitude. Os seus vales são pouco profundos e resultam essencialmente da ação da chuva e do vento.

A Ribeira da Lagoa com cerca de 45 km2, é a mais importante, existindo ainda pequenas depressões, como as Ribeiras de Monte Vermelho, a Ribeira de Santo António, a Ribeira de Figueira da Horta, a Ribeira de Chico Vaz, a Ribeira de Barreiro, a Ribeira de Pai Joana, a Ribeira das Casas Velhas, a Ribeira do Morro e a Ribeira Preta. De destacar também, a existência de duas extensas áreas com águas salgadas – a Salina de Porto Inglês e Terras Salgadas.

A costa, geralmente baixa, alterna áreas com substrato rochoso e arenoso, e apresenta um comprimento com cerca de 79,3 km, composta por relevos planos e baías, exceto em pequenos troços, a Sul e a Este, onde existem arribas. 

A ilha de Maio como as restantes ilhas do sotavento devido à sua localização possuí um clima quente, árido e semiárido, apresentando duas estações contrastantes, a das chuvas e a da seca ou tempo das brisas. A estação chuvosa vai de agosto a outubro, e a estação mais seca vai de dezembro a Julho. As temperaturas variam pouco ao longo do ano sendo que a temperatura máxima ronda os 25ºC e 30ºC, enquanto as temperaturas mínimas variam entre 19ºC e 25ºC. Os meses mais quentes são agosto, setembro e outubro, com 29 graus de temperatura média enquanto os mais frios são janeiro e fevereiro, com cerca de 23ºC de temperatura média. Nas regiões de maior elevação, o clima é um pouco moderado. A precipitação média anual não ultrapassa os 300 mm nas zonas de baixa altitude e 700 mm nas zonas de grande altitude, a chuva é muito irregular, registando-se secas periódicas no arquipélago. Apesar de ser uma das ilhas mais áridas, a ilha do Maio tem o maior perímetro florestal de Cabo Verde, uma mancha de cerca de 3500 hectares, composta essencialmente por acácias, resultante da implementação de um plano de reflorestação.

A ilha do Maio deve o seu nome ao fato de ter sido descoberta a 1 de Maio de 1460. A ocupação da ilha começou muito cedo, provavelmente no dez ou 20 anos após a sua descoberta. A ocupação da ilha do Maio coincidiu com uma fase precária de ocupação do território, onde os donatários de Santiago mandavam lançar gado e escravos, que para além de cuidarem do gado cultivavam algodão. As donatarias foram as primeiras formas político-administrativas no arquipélago e na ilha do Maio. A partir do século XVII, o seu povoamento acentuou-se, e à pastorícia, à pesca artesanal e à agricultura, juntou-se outra atividade económica muito importante, a produção de sal. Denominado “ouro branco”, o sal foi responsável por conferir um elevado grau de importância ao porto, o Porto Inglês, muito procurado por navios ingleses e holandeses que ali se abasteciam desse produto.  A exploração do sal sofreu um declínio no final do século XIX, afastando a ilha do Maio das rotas internacionais de comercio. A partir desta altura, a sua história ficou marcada pela emigração, e por períodos de secas, que afetaram o desenvolvimento das atividades agrícolas e a continuação da exploração das salinas.

A Cidade de Porto Inglês, antiga Vila de Porto Inglês ou Vila do Maio, é o maior centro urbano da ilha. A população da ilha de Maio tende a concentrar-se nas regiões litorais, onde desenvolve a sua principal atividade, a pesca. Para além desta atividade socioeconómica, a população da ilha do Maio dedica-se essencialmente à agricultura, embora a escassez de água e a sua salinização tenham levado ao abandono continuado da maioria dos terrenos agrícolas. Contudo atualmente a ilha do maio ainda produz de elevada qualidade como são a cebola e a batata-doce, que são maioritariamente exportados para a ilha de Santiago.

Reserva da Biosfera da Ilha do Maio

 A ilha de Maio foi classificada como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO, a 28 de Outubro de 2019. A Reserva da Biosfera da ilha do Maio tem uma área total de 73.972,43 ha, sendo 26.900 ha correspondente à parte terrestre e 47.072,43 ha à parte marinha. A reserva tem como características principais a riqueza de recursos naturais, culturais e patrimoniais. A sua zona núcleo corresponde integralmente a áreas com estatuto legal de conservação e incluem os principais habitats naturais ou seminaturais inalterados, ou pouco alterados pela intervenção humana. 

Fazem parte das zonas núcleo o Parque Natural do Norte da Ilha do Maio, a Reserva Natural da Lagoa do Cimidor, a Reserva Natural da Praia do Morro, a Reserva Natural das Casas Velhas, a Paisagem Protegida de Barreiro e Figueira e a Paisagem Protegida das Salinas do Porto Inglês.

Por sua vez, a zona tampão corresponde a áreas que dão continuidade às áreas com estatuto de conservação, correspondentes às zonas núcleo, onde se implementaram medidas dirigidas à recuperação de habitats naturais ou seminaturais, de espécies importantes da flora e da fauna e à preservação das paisagens. A zona de transição da Reserva da Biosfera da ilha do Maio, corresponde ao restante do território terrestre e marinho, até 3 milhas náuticas da linha da costa, onde se encontram estabelecidas as comunidades e todas as atividades económica da ilha.

As suas paisagens de elevado valor natural, suportam níveis de biodiversidade alta, nomeadamente habitats e espécies de flora e de fauna marinha em particular. As áreas protegidas, os produtos locais, o legado das suas gentes, considerado muito importante no que respeita à preservação de costumes e traços culturais, potenciam o turismo sustentável na Reserva da Biosfera da ilha do Maio como base para o desenvolvimento socioeconómico da ilha.

Paisagens

A ilha do Maio é uma mantem ainda os traços de uma ilha tropical africana, pouco explorada, onde as praias que envolvem a ilha, podem ser consideradas das melhores de Cabo Verde. Simultaneamente, a riqueza de flora e fauna, marinha e terrestre, enriquecem o legado paisagístico.  A presença humana e a história moldaram a paisagem ao longo dos séculos, conferindo uma beleza peculiar. A sua baixa densidade populacional, a tranquilidade e o seu ambiente envolvente, contribuem para que o turismo na ilha do Maio tenha um enorme potencial quer pela existência de paisagens marcantes, quer pela disponibilização de atividades de caracter naturalista como, a observação de baleias, a observação de tartarugas a observação de aves, a pesca desportiva e o mergulho.

Reserva Marinha das Casas Velhas

A Reserva Marinha das Casas Velhas fica localizada no extremo Sul da ilha e possui cerca de 6.624 hectares, é uma zona húmida que abrange uma área que vai desde a parte leste da Cidade do Porto Inglês até ao sul do Barreiro. É composta por duas lagoas litorais temporárias, de água salgada ou salobra, situadas atrás da praia e separadas do mar por cordões de pequenas dunas. É considerada uma das áreas mais importante da ilha em termos de conservação, pois alberga um extenso conjunto de plantas halófitas e é habitat de uma importante população de espécies de aves limícolas migratórias e residentes, destacando-se o pernilongo, o maçarico, o pirlito e os borrelhos, assim como as garças reais e garças brancas.

Praia de Jampala (Djampadja)

A Praia de Jampala localiza-se no sul da ilha, entre as praias de Ponta Preta e Boca Lagoa. É uma praia de areia branca e cinzenta, ligeiramente inclinada, parcialmente inundável e formada por várias zonas com diferentes características, separadas por rochas. É procurada para passeios e pesca amadora. Esta praia é um dos habitats da tartaruga-comum, no período de desova e nidificação.

Lagoa Cimidor

A lagoa do Cimidor fica localizada no litoral sudeste da ilha do Maio e é separada do mar pela Praia dos Flamengos. Diz-se que a lagoa encerra um mistério, existindo relatos de que terá desaparecido um homem a cavalo depois de ter entrado na lagoa, julgando-se que tenham sido engolidos pela mesma. Assim, por este motivo, ninguém ousa aproximar-se da lagoa para se banhar ou pescar. Com cerca de 50 hectares, esta área temporária é alimentada pelo transporte das águas da chuva através das ribeiras e pela infiltração de água do mar. É uma zona muito importante para a avifauna, onde podem ser observadas aves limícolas como pernilongos, maçaricos, rolas-do-mar, pirlitos e borrelhos.

Praia de Ponta Preta

A praia de Ponte Preta fica localizada no extremo sul do Porto Inglês e é uma praia extensa e constituída por areia branca, com uma morfologia variável durante o ano dependendo dos movimentos da areia. Entre os meses de Maio a Setembro é usual a formação de uma gruta com aproximadamente 20 metros de profundidade dando origem a um local para banho, mas com o recuo do mar a partir de Outubro essa zona desaparece. É um importante spot de biodiversidade, com fundos de areia compostos por numerosos recifes rochosos que contêm esponjas, algas e corais e que albergam um elevado número de espécies de peixes de interesse ecológico e pesqueiro.

Perímetro Florestal da Calheta

A zona florestal da Calheta corresponde ao maior perímetro florestal de Cabo Verde e que consiste numa mancha verde com 500 ha de extensão, que vai desde as proximidades do Monte Batalha até às aldeias de Morrinho e Cascabulho. O processo de florestação desta área iniciou-se em 1964, estendendo-se até 1975 numa primeira fase e entre 1978 e 1980 através do Plano Integrado Maio, complementado posteriormente pelo financiamento do projeto FAO/Bélgica até 1982. O Plano de florestação permitiu a plantação de cerca de 7500 árvores, onde 210 ha correspondem à associação de Prosopis juliflora e Parkisonia aculeata e 290 ha a Parkisonia aculeata., sendo uma mancha de vegetação composta maioritariamente por espécies introduzidas- 85% de acácias americanas.

Foi criada com o objetivo de manter o equilíbrio ecológico da ilha, desenvolver a produção agrosilvopastoril, valorizar a paisagem e fornecer combustível, como lenha e carvão, ao mercado nacional. O Perímetro Florestal da Calheta permitiu a instalação do centro zootécnico, com a criação do gado caprino e ovino até aos anos 90. A produção agrícola esteve organizada num sistema de cooperativa até finais dos anos 70. O espaço é utilizado atualmente para a produção de plantas ornamentais e frutícolas, como o coco e os citrinos.

Salinas do Porto Inglês

Situadas entre Porto Inglês e Morro, no litoral Sudoeste da ilha do Maio as Salinas, foram seguramente o elemento que mais marcou a história da ilha do Maio. Esta Paisagem Protegida, as Salinas do Porto Inglês, localiza-se a Noroeste da cidade de Porto Inglês, próximo ao porto do Maio, estendendo-se para Norte, até à foz da Ribeira do Morro. A Paisagem Protegida tem uma área total de 534,66 hectares, distribuídos por uma faixa terrestre de 400,5 ha e uma faixa marinha com 134,1 ha, que se estende até aos 300m da linha de costa. Trata-se da maior salina natural do país, possuindo 5 km de comprimento e 1,5 km de largura, composta pela salina grande e a pequena, separada do mar por um cordão dunar paralelo à costa.

 A área terrestre da praia constitui uma área importante para a nidificação e desova das tartarugas, bem como as áreas de lagoa salgada, que constituem o hotspot de avifauna mais importante da ilha, especialmente de aves limícolas tanto residentes, como migratórias. O sal que ali se encontra, forma-se pela ação da água do mar, que entra nos períodos de maré alta.


As Salinas do Porto Inglês, integra a lista de Zonas Húmidas de Interesse Internacional- Zona RAMSAR, sendo a quarta Zona RAMSAR do país. 

Para além do seu interesse ecológico e paisagístico, as Salinas de Porto Inglês, desempenham um papel muito importante ao nível histórico, cultural, paisagístico e socioeconómico no contexto da ilha.

Montinho de Lume

Localizado no extremo norte da Cidade do Porto Inglês, o Montinho de Lume tem cerca de 50 metros de altitude. Pela sua posição privilegiada oferece uma excelente vista sobre o Porto Inglês e as Salinas. Atualmente conta com a presença de diferentes infraestruturas meteorológicas e de comunicação.

Praia de Bixirotxa

A Praia de Bixirotxa situa-se a oeste do Porto Inglês, antes do cais e é uma extensa praia de areia branca. O seu nome reflete influência anglo-saxónica, ‘Beach Rotcha’, contudo pronuncia-se ‘Bax Rotcha’. Historicamente, a denominação correta desta praia deveria ser ‘Praia da Salina’ ou ‘Praia do Porto’. Praia onde se registaram alguns naufrágios, como o Constança em 1975, do qual ainda hoje existem vestígios enterrados na praia. A Praia de Bixirotxa caracteriza-se sobretudo pelas suas areias brancas e águas límpidas A praia é frequentada pelos pescadores de pesca artesanal da cidade e pela população local, para banho e lazer, principalmente no verão quando são realizadas uma série de atividades desportivas e culturais.

Salinas do Porto Inglês

Praias da Salina e Bancona

Esta extensa praia de areia branca, com uma linha costeira de 5 km está situada na costa sudoeste do Maio, entre o porto e a Boca Morro. Historicamente está ligada ao comércio do sal, pois no seu extremo sul encontram-se vestígios de restos do Ponte Velho, estrutura construída no século XIX utilizada para o embarque do sal extraído das Salinas do Porto Inglês. É uma praia importante para a nidificação das tartarugas nomeadamente da espécie cabeçuda.

Praia do Morro

A praia situa-se na costa ocidental da ilha do Maio, entre a Boca Morro e a Ponta da Calheta ficando a apenas 1 km a oeste do Morro, e é uma praia extensa e composta por areia branca e rochas. A nível da biodiversidade esta destaca-se pela desova das tartarugas marinhas, e pela passagem de baleias de bossa, principalmente nos meses de Abril e Maio. A presença de algumas espécies de aves limícolas, é frequente especialmente perto da boca da ribeira do Morro.

Ribeira do Morro

A ribeira do Morro tem o seu início na zona do Monte Batalha e vai-se prolongando até ao mar na Praia do Morro, passando a norte desta povoação. Nesta região, realizam-se algumas atividades como a prática de agricultura, principalmente nas épocas das chuvas, extração de pedras e cascalho nas proximidades do Monte Batalha e extração de argilas para fazer barro numa zona denominada Pedregal. Local igualmente importante para a avifauna pois nela se encontra aves limícolas e vegetação halófita.

Dunas do Morrinho

As Dunas do Morrinho encontram-se a cerca de 1 km a noroeste do Morrinho e são formadas por uma grande porção de areia, trazida pelos ventos de maior intensidade que são abundantes na zona e funcionam durante alguns meses, como uma barreira natural que previne a invasão da água do mar para o interior, protegendo o lençol de água doce.

 O sistema tem aproximadamente 4 km de comprimento e 500 metros largura, alcançando uma altura de cerca de 30 metros, no seu ponto mais elevado. 

Contém uma interessante biodiversidade composta por flora e fauna típicas das zonas dunares. As dunas situam-se dentro da Área Protegida “Parque Nacional das Terras Salgadas e compreende a linha de costa entre a Praia de Calhetinha e a baía de Santana.

Dunas do Morrinha

Terras Salgadas

As Terras Salgadas são uma extensa área no Norte da Ilha do Maio, integra o Parque Natural do Norte da Ilha do Maio e ocupa a parte mais setentrional da ilha do Maio, com uma extensão total de 25.600,55 hectares, com uma área terrestre com 4.713,9 ha e uma área marinha com 20.886,6 ha. As Terras Salgadas localizam-se entre os sistemas dunares de Morrinho e Galeão e são uma planície que representa o maior ecossistema de salinas de Cabo Verde, sendo a maior área protegida natural desta ilha, onde se incluiu uma zona marinha protegida. O interior é caracterizado por uma extensa zona sedimentar de solos argilosos, cobertos por uma película de sal e que albergam uma interessante avifauna limícola, hospedando principalmente aves migratórias. A área interior coincide com a zona de cultivos e pecuária extensiva situada a norte das povoações de Morrinho e Cascabulho, rodeia as vertentes ocidentais e meridionais do maciço de Monte Santo António, a partir da aldeia de Santo António, estendendo-se até à estrada que junta a mesma com a aldeia de Pedro Vaz.  Compreende a linha de costa entre a Ponta de Calhetinha e a desembocadura da Ribeira da Lomba da Mantenha. A zona litoral apresenta cordões dunares, alguns cobertos de vegetação, que se estende até às 3 milhas marinhas da linha de costa.

Esta área protegida apresenta a maior extensão de salinas do Arquipélago de Cabo Verde, onde se registam formações arenosas exclusivas e um litoral bordeado por extensas praias de areia. Estas praias constituem o habitat privilegiado para a desova da tartaruga Caretta caretta.

Nas Terras Salgadas verifica-se um fluxo de areias, provocado pelos ventos dominantes de Nordeste, que mobilizam as areias oriundas da costa Norte para a costa Noroeste. 

Monte Penoso

O monte Penoso localizado na parte oriental do maciço do interior da ilha, é o ponto mais alto do Maio com 437 metros de altura e é visto historicamente como algo de misterioso e sagrado, apresentando uma paisagem exuberante e proporcionando uma vista da totalidade da ilha. Formado por materiais eruptivos, fundamentalmente basálticos, especula-se que a erupção principal da ilha do Maio tenha sido nessa área. 

O Monte Penoso reúne condições para a fixação humana, como sejam abundância de água, terrenos férteis e pastos extensos, pelo que terá sido o primeiro povoado da ilha do Maio, no século XV. Ali se instalaram pastores e agricultores, escravos fujões, vindos provavelmente, da Capitania de Alcatrazes, ilha de Santiago, onde as principais atividades foram a criação de gado, em especial o gado caprino. 

Da fauna presente destacam-se as aves como o abutre-do-egipto, francelho, corvo, coruja, entre outros. A flora é muito diversa, destacando-se as ervas que servem de alimento aos herbívoros e a purgueira (jatropa curcas), planta que foi utilizada pela população para a extração de óleo para fins medicinais, fabrico de sabão de terra e na iluminação das casas.

Monte Branco

O Monte Branco situa-se a oeste de Pilão Cão. Com 253 metros de altura é um monte muito importante a nível geológico, pois no seu lado ocidental, encontram-se os sedimentos mais antigos de Cabo Verde, resultantes do aforamento de argilas compactas, intercaladas com algumas formações calcárias. Nele e nas suas redondezas existem algumas espécies de aves como a cotovia, a calhandra-das-dunas ou a galinha-da-guiné. O monte é usado para a pastagem de gado, especialmente cabras.

Património histórico

A Vila do Maio, hoje cidade, é a capital da ilha. Também conhecida como a Vila do Porto Inglês, designação que tem raízes na presença dos navios britânicos que aqui carregavam sal e que nessa época, tentaram apoderar-se da ilha. 

Este produto, que chegou a ser estratégico na história mundial, perdeu hoje grande parte da sua importância. Não espanta, por isso, que as salinas, e todas as vias de acesso registem atualmente atividade reduzida.

 A cidade de Porto Inglês é uma cidade é calma, com espaços de convívio interessantes e modernos. Ao nível do património edificado de salientar a Igreja Matriz, o Farol de S. José e também o Castelo do Maio. Datam do período da formação da cidade e o castelo, tal como acontecera com a fortaleza da Ribeira Grande em Santiago, foi construído essencialmente para proteger o território dos assaltos dos Piratas.

O artesanato da ilha do Maio, interliga os utensílios tradicionais de cozinha e os utensílios decorativos locais. Uma visita ao Centro de Olaria na Calheta, embora em atividade intermitente, permite aos visitantes, conhecer o que de melhor se produz nesta área. 

Um circuito pelo Sul e Leste do Maio proporciona momentos de convívio com as populações afáveis da ilha.

Aldeias Pitorescas, como as povoações do Barreiro, Figueira Horta ao Barreiro, a Pilão Cão, Pedro Vaz e Alcatraz, Praia Gonçalo, Santo António e Cascabulho Calheta, o Morrinho, e Ribeira de São João, são localidades de visita obrigatória. Na cidade de Porto Inglês, a avenida principal e as ruelas em torno Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Luz e as Salinas são uma referência, onde pode desfrutar do pôr-do-sol ao final do dia. 

Nas aldeias, para além do descanso, podemos desfrutar momentos de convívio com as populações da ilha e observar a faina dos pescadores e as variadas espécies de peixes que diariamente são pescadas.

A cultura da ilha do Maio é influenciada pela história e geografia da ilha, assim como pelas tradições e costumes dos seus habitantes. A ilha tem uma forte herança africana e crioula, com uma cultura muito rica e diversa.

Nas ruas da ilha assiste-se ao jogo das cartas, em especial a bisca.

A música é uma parte importante da cultura da ilha do Maio, com uma variedade de estilos musicais, incluindo a morna, a coladeira e o Funaná tocado e cantado ao som da gaita (concertina) e do ferrinho (uma barra de ferro dentada que, raspada, marca o ritmo dos dançarinos).

A dança também é uma parte importante da cultura, com muitas danças tradicionais, como a tabanca e o batuco.

A ilha do Maio integra a rota dos navios da época expansionista dos países europeus, que por ali passavam. Os corsários desembarcavam à procura de alimentos, sobretudo de carne fresca e salgada. Devido aos constantes ataques dos piratas que saqueavam as riquezas da ilha, foi edificado o Forte de São José na Vila de Porto Inglês. 

Durante muitos anos a população branca era muito reduzida, predominando os escravos, responsáveis pela criação do gado, cultivo de algodão e mais tarde na organização e apanha do sal.

 O sal foi considerado durante muito tempo o único produto que servia para exportação. Com a retração da exportação do sal, devido à concorrência das salinas de Marrocos, assim como da ilha do Sal, assiste-se a retração económica, levando os homens abastados a abandonaram a ilha em busca de outras paragens do arquipélago. 

Até a chegada dos ingleses no século XVIII, o principal assentamento populacional era em Pedro Vaz e as missas eram celebradas na Capela de Nossa Senhora do Rosário. 

Com chegada dos ingleses a vila ganhou importância e desenvolveram-se as salinas. 

Em 1872 inaugurou-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, na vila do Porto Inglês. Esta construção durou sete anos, já que as obras eram feitas durante a estação seca, pois durante a estação das águas os homens iam trabalhar no campo. A construção foi levada a cabo com dinheiro dos impostos do sal. Nos anos 1840 a 1900 Centro urbanístico de Porto Inglês desenvolveu-se, com a construção de algumas dezenas de sobrados.

A presença de comunidades de diversas origens, originaram diversas práticas, representações, objetos e sítios de memória, construídas ao longo de séculos. A cultura material é feita de objetos manufaturados, representativa da identidade cultural da época. A cultura imaterial ou intangível, envolve a vertente espiritual e o conhecimento empírico, transmitido na forma oral, gestual, de geração para geração.

A herança cultural e patrimonial evidenciadas na ilha, como são as festas de romarias com toda a sua carga religiosa e pagã, a Tabanca, a produção literária e musical marcada pela vivência quotidiana, retratam a natureza agreste da ilha, mas sobretudo o isolamento.

A nível do património edificado, de acordo com os inventários disponíveis, destacamos uma grande diversidade da arquitetura colonial, reconhecidas pelos sobrados e casarões, cujas evidências remontam aos finais do seculo XVIII. Acrescenta-se ainda uma grande variedade de arquitetura vernacular, marcada por edifícios habitacionais, que no conjunto apresentam um valor patrimonial inquestionável.

Outros elementos patrimoniais edificados dignos de destaque são, o Forte de São José, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, bem como as capelas de Morro e Penoso, o antigo cais de Porto Inglês e a Alfandega velha. 

Vila do Porto Inglês

Salinas do Porto Inglês

Forte de São José

Igreja Matriz de Nª Senhora da Luz

Não obstante uma gradual descaracterização, a traça urbana da cidade do Porto Inglês, bem como da vila da Calheta e do Morro, refletem a réplica de elementos arquitetónicos importados da metrópole, adaptada às características locais.

De realçar também, a importância que a ilha do Maio possui em termos do património arqueológico subaquático. Nos mares de Cabo Verde, jazem várias embarcações, que datam do período das descobertas marítimas europeias. Existem registos de várias embarcações que naufragaram na ilha do Maio, nomeadamente, no ano de 1743 a embarcação da Companhia Inglesa das Índias Orientais, denominada de Princess Louise e no ano de 1806 uma outra embarcação da mesma companhia, denominada Lady Burgess, que naufragou entre as ilhas de Boa Vista e Maio, mais precisamente na zona de João Valente.

• Igreja de Nossa Senhora da Luz

 Reconstruída em 1872, este monumento localiza-se no centro da Cidade do Porto Inglês, e a sua construção foi inspirada no modelo português, tendo sido usadas peças de cerâmica e madeira de coco, com financiamento proveniente do imposto do sal. A obra levou sete anos para ser concluída e a construção foi feita apenas nas estações secas. Os registos indicam que ocorreram várias tentativas de transferir a imagem de Nossa Senhora do Rosário da Capela do Penoso para a vila, mas sempre que a imagem era trazida voltava a aparecer no Penoso e por isso foi decidido deixar a imagem naquela capela. 

• Capela de Nossa Senhora de Fátima

Localiza-se no centro da localidade do Morro e originalmente apenas existia uma pequena construção, edificada em 1950, designada Capela de Santa Filomena. Recentemente, no ano 2003, foi remodelada e ampliada por alguns membros da comunidade com a ajuda da população, passando a ser denominada Capela de Nossa Senhora de Fátima. As principais atividades que se realizam nessa capela são a missa de Nossa Senhora de Fátima e de Santa Filomena.

• Cruz de Santana

 Este património recentemente reconstruído, situa-se no norte de Morrinho, no caminho para a Praia de Santana, constituindo um sítio de grande valor cultural para a comunidade. Junto da cruz as pessoas da comunidade rezavam em honra dos santos para pedir a chuva e por vezes para pagar as suas promessas.

• Capela de Santo António

A capela localiza-se na ribeira de Santo António e a sua construção assenta numa arquitetura tradicional. Construída de pedra e coberta por telha, possui um edifício principal e um anexo. De acordo com a lenda popular, perto da atual capela existia uma capela que foi demolida por ordem da Rainha D. Maria e o Santo António, foi transferido para Porto Inglês. No dia seguinte o santo apareceu onde se situa a atual capela. 

Uma vez que o povoamento começou na parte norte da ilha, tudo indica que a ribeira de Santo António tenha sido o primeiro local de exploração agrícola da ilha.

• Capela de Nossa Senhora do Rosário

 Localizada junto do Monte Penoso, é a mais antiga da ilha e está relacionada com a história do primeiro assentamento humano do Maio, que ocorreu nessa zona. A capela é feita de pedra e coberta de telha sobre uma estrutura de madeira. De acordo com o mito popular, conta-se que foram feitas três tentativas para transferir o santo para a igreja do Porto Inglês, mas este reaparecia no dia seguinte de volta na capela do Penoso, razão pela qual aí permaneceu. A festa é celebrada no dia 7 de Outubro pelas comunidades de Alcatraz e Pilão Cão.

• O Forte de São José

 O forte de São José foi construído no Séc. XVIII, e teve como principal função proteger a ilha, e a sua economia que se baseava na extração do sal.  O forte encontra-se voltado para o mar, dando visibilidade e imponência a quem chegava à ilha. Possui vários canhões apontados em várias direções, que serviam para atacar barcos atacantes. Em 1887, foi construído um farol dentro do forte de S. José, com o objetivo de guiar os barcos que navegavam nas águas junto da ilha de Maio. Depois da sua requalificação em 2013, o Forte de São José conta também com serviço de informação turística e com uma loja de produtos locais, assumindo-se como um local de visita obrigatória.

Cruz de Santana

Capela Nª Senhora do Rosário

Biodiversidade

Flora

Na que concerne à flora a ilha do Maio incluindo os Líquenes, engloba cerca de 242 espécies de 160 géneros, 57 famílias, 34 ordens e 4 classes. Na flora da ilha estão reconhecidas 14 espécies endémicas do arquipélago, o que corresponde a 9,8 % das espécies da flora local. Estão ameaçadas de extinção 18 espécies que estão incluídas na lista. 

A vegetação na reserva é caracterizada pela existência de um núcleo de relevos residuais pouco expressivos, pois a ilha do Maio não beneficia do efeito dos ventos alíseos que nas ilhas montanhosas são conhecidos pela sua influência na vegetação. Esses fatores contribuem para um coberto vegetal com características xerofíticas e com elevado grau de homogeneidade quer em termos de morfologia, quer no que diz respeito à composição florística, com alguma distinção apenas nas formações de caracter edáfico. Trata-se de uma vegetação com característica estepária dominada pela presença de espécies anuais e pseudoanuais.

Nas comunidades presentes em zona dunar são abundantes a Tamarix senegalensis, Zygophyllum fontanesii, Suaeda vermiculata, Heliotropium ramosissimum, Zygophyllum simplex.

Nas áreas denominadas como “áreas salgadas” como as salinas do Porto Inglês são frequentes a Arthrocnemum macrostachyum, Suaeda vermiculata, Zygophyllum fontanesii, Cyperus crassipes, bem como a Suaeda vermiculata, Zygophyllum fontanesii, Frankenia ericifolia, Helitropium ramosissimum e Cenchrus echinatus. A jusante das ribeiras de Lagoa e de D. João registam-se agrupamentos de Tamarix senegalensis e de Zygophyllum fontanesii.

Nas áreas baixas junto às ribeiras abundam Aerva persica, Corchorus trilocularis, Cleome viscosa, Argemone mexicana Dichanthium faveolatum e Forsskaolea procridifolia

Nas espécies características das zonas de altitude, salientamos a Eragrostis cilianensis, Aristida funiculata, Chloris virgata, que são as mais abundantes, acompanhadas pela Acrachne racemosa, Zaleya pentandra, Setaria verticilata que apresentam menor abundância.

No que concerne às algas marinhas a predominância vai para os géneros: Asparagopsis (alga vermelha), Bryopsis, Caulerpa, Dictstyle, Dictyota, Laurentia, Padina, Plocamium. No geral, nas zonas costeiras de Cabo Verde, predominam as algas verdes (Chlorophyta) e algas vermelhas (Rhodophyta).

Na flora utilizada pelas comunidades na sua alimentação destacamos alguns frutos como a melancia, a papaia, a calabaceira e nas hortícolas a cebola, o tomate e a batata-doce.

Calabacera
Papaieira
Fauna

A ilha do Maio para além do seu potencial paisagístico, tem um grande potencial ecológico, onde se destaca biodiversidade. A riqueza natural confirma-se pela existência de várias Áreas Protegidas no seu território, como as Terras Salgadas, Lagoa do Cimidor, Monte Penoso e Monte Branco, Monte de Santo António, Parque natural do Barreiro e Figueira, Casas Velhas e a Salina do Porto Inglês. Em termos de recursos naturais, apenas a ilha da Boa Vista, possui maior concentração de espécies marinhas em Cabo Verde.

O território da Reserva da Biosfera da ilha do Maio, é de grande importância para as tartarugas marinhas, noemadamente Caretta caretta (Tartaruga cabeçuda), Eretmochelys imbricata (Tartaruga-de-casco-levantado), Chelonia mydas (Tartaruga verde).

Destacam-se outras espécies marinhas como Negaprion brevirostris (Tubarão-limão), Megaptera novaeangliae (Baleia-de-bossa), Tursiops truncatus (Golfinho-roaz), Stenella attenuata (Golfinho-pintado-pantropical), Stenella longirostris (Golfinho rotador) bem como um elevado número de espécies de peixes e invertebrados de interesse ecológico e económico.

Possui igualmente áreas de elevada importância, como as aves endémicas Charadrius alexandrinus (Borrelho-de-coleira-interrompida), Pelagodroma marina (Pedreiro-azul), Cursorio cursor (Corredeira). Existem outras aves que nidificam na Reserva da Biosfera, como o Corvus ruficollis (Corvo) ou a Cursorius cursor exsul (Corredeira), o Bubulcus íbis (garça boieira), a (Halcyon leucocefala) passarinha e o Pelagodroma marina (Pedreiro-azul) que se reproduz no ilhéu de Laje Branca, um dos poucos locais conhecidos para a sua reprodução.  

Para além destas, duas espécies pardal, Passer hispanolensis e a endémica Passer iagoensis, são igualmente comuns na ilha. O francelho é uma ave muito abundante em Cabo Verde (Falco tinnunculus)

As espécies limícolas e vagantes são responsáveis pela maior parte das aves migratórias encontradas. Outras aves frequentemente observadas na ilha são Calidris alpina, Calidris feruginea, Actitis hypoleucas, Charadrius hiaticula, Numenius phaeopus, Tringanebularia, Pluvialis squatarola (Tarrambola) e Himantopus himantopus (Pernilonga).

Ocasionalmente avistamos a Fragata (Fregata magnificens), a cagarra (Calonectris edwardsii) e a gaivota de asa negra (Ichthyaeteus melanocephalus).

Relativamente à fauna piscícola, as espécies comerciais são as mais conhecidas, estando presentes na ilha espécies como a Castanheta (Abudefduf luridus Scaridae), o Ruivo (Chromis lubbocki), a Dobrada (Spicara melanurus), o Sargo Preto (Diplodus fasciatus), a Rainha (Myripristis jacobus), a garoupa (Cephalopholis taeniops), o peixe rei (Sargocentron hastatus), Sargo (Diplodus prayensis), e a Façola da família Priacanthidae, (Priacanthus arenatus). Os mamíferos marinhos também estão prrsentes como os golfinhos, as baleias e o cachalote.

No grupo dos répteis, a Chioninia spinalis maioensis exclusiva da ilha do Maio, apresenta uma distribuição por toda a ilha, com preferência nas zonas semiáridas e áridas. A Tarentola maioensis, também endémica da ilha e a Chioninia dellandii também endémica de Cabo Verde encontrada sobretudo na área de Porto inglês.

Na fauna de vertebrados utilizada pelas comunidades, seja nos trabalhos agrícolas e transporte, quer na alimentação destacamos a cabra e o burro.

Gastronomia

A gastronomia da ilha de Maio é caracterizada por uma elevada riqueza de sabores, sendo que o destaque vai para a “Caldeirada de Peixe” que é feita com algumas variedades de peixe fresco incluindo a garoupa e a lagosta. É um prato baseado num refogado que utiliza batata-doce, inhame, mandioca, batata inglesa, abóbora e banana verde, uma combinação típica da ilha do Maio. O caldo de peixe à moda da ilha e o bife de atum também são pratos tradicionais, bem como as receitas com lagosta e outros mariscos.

Os pratos de carne também são afamados nesta ilha, como a tchassina, que consiste numa carne de cabra salgada, acompanhada de cachupa. É uma receita tradicional muito apreciada, assim como as feijoadas e guisados de cabrito com xerém.

O Queijo do Maio, é um queijo de cabra puro e de sabor peculiar, assim como o Pudim de Queijo uma especialidade da cozinha cabo-verdiana, são de degustação obrigatória. Existem também os doces de Fruta como de papaia, marmelada ou goiabada, que são degustados sozinhos ou a acompanhados com fatias de queijo do Maio.

 

Eventos

A Tabanca é uma espécie de confraria, com atividades festivas e culturais centradas em certas épocas do ano ou em ocasiões. É ao mesmo tempo música, dança, representação teatral da sociedade e movimento de entreajuda. A música é feita ao som do búzio, do rufar dos tambores e das vozes de dezenas de homens e mulheres, que integram a “procissão”.

Nossa Senhora da Luz

 Decorrem desde o dia 21 de Agosto, na ilha do Maio, as festividades em honra à Nossa Senhora da Luz, padroeira do município. De entre as várias atividades programadas, destaque para o Baile Conjunto e Festival de praia de Beach Rotxa e a realização da prova de futsal masculino, na Cidade do Porto Inglês e na localidade de Morrinho. Foto 31- igreja Nossa Senhora da Luz

 Além de futsal, estão programadas provas de atletismo, ciclismo, concurso “Vôz di Djarmai 2019”, inaugurações, Sessão Solene da Assembleia Nacional, terminando com a Missa Solene. O concurso “Vôz di Djarmai” acontece no dia 4 de Setembro, onde os jovens maienses terão oportunidade de mostrar os seus talentos. O Festival da praia de Beach Rotxa é um dos pontos altos das festividades, que acontece em Setembro e conta com a participação dos artistas locais e nacionais. 

Foto 32- Miss Ilha do Maio

A ilha do Maio celebra o Carnaval, com a organização de um desfile que tem lugar na Avenida Amílcar Cabral da Cidade do Porto Inglês. 

A Feira de Cinzas acontece todos os anos nos dias que antecedem o carnaval e cinzas.

O Dia de Cinzas, decorre na quarta-feira seguinte ao dia de Carnaval e é celebrado em todos os povoados, onde se confeciona um prato típico de peixe seco com batata doce e inglesa, repolho, acompanhado por arroz ou xerém.

Destacamos outros eventos maioritariamente relacionados com a religião católica, ao longo do ano, como por exemplo: 

6 de janeiro – N`ªSrª de Socorro (Cascabulho)

11 de janeiro – Santa Filomena (Localidade de Morro)

11 de fevereiro – Nª Sr.ª de Lurdes (Vila da Calheta)

19 de março – São José (Vila da Calheta)

3 de maio – Santa Cruz – segunda maior solenidade da Ilha – Cidade do Porto Inglês

13 de maio – Nª Sr.ª de Fátima (Localidade de Morro)

13 de junho – Santo António (Localidades de Santo António e Praia Gonçalo)

29 de junho – São Pedro e São Paulo (Localidade de Pedro Vaz)

26 de julho – Santa Ana e São Joaquim (Localidade de Morrinho)

15 de agosto – Nª Sr. Da Graça (Cidade do Porto Inglês)

8 de setembro – Nª Sr. ª da Luz (Santa Padroeira da Ilha) – Cidade do Porto Inglês

7 de outubro – Nª Sr-ª do Rosário (Localidades de Alcatraz e Pilão Cão)

Último Domingo de Novembro – Cristo Rei (Localidade de Figueiras)

Último domingo de dezembro – Sagrada Família (Vila do Barreiro)

Miss Ilha do Maio

Nossa Senhora da Luz

Artesanato

    O artesanato na Ilha do Maio está intimamente ligado aos recursos naturais existentes. O artesanato da ilha de Maio com maior expressão é a cerâmica, através da olaria tradicional e decorativa, as rendas e a produção de peças decorativas recorrendo a produtos naturais como conchas, troncos, folhas. A olaria continua a ter um importante significado, pois é responsável pela produção de utensílios tradicionais de cozinha usados diariamente pelos habitantes da ilha de Maio. Alguns destes objetos têm valor decorativo, sendo muito valorizados pelos turistas.

Outros produtos são produzidos a partir de matérias reciclados, como garrafas de vidro, latas, plásticos, que na sua maioria são transformados em carros, camiões ou moldes para brincar na areia e que fazem parte do quotidiano das crianças maienses. Outra linha, mais modernizada e atualmente explorada no Centro de Artesanato da Calheta é a reciclagem de bidões velhos. Estes materiais são utilizados para produzir galinhas da guiné, peixes, porta-guardanapos, porta-velas, cinzeiros, etc, No seu conjunto estes produtos são representativos da identidade cultural do povo da ilha do Maio.

Percursos Pedestres

Monte Penoso

O Monte Penoso, é a maior elevação da Reserva da Biosfera da ilha do Maio com 431 m de altitude. O Monte Penoso é de origem vulcânica, situando-se a 11 km a nordeste da Vila do maio e a 3 km oeste de Pedro Vaz.  O percurso percorre a encosta do monte e culmina com vistas amplas sobre a ilha e zona litoral. O Monte Penoso encontra-se classificado como reserva natural protegida. 

Terras Salgadas (com destaque para as Dunas de Morrinho)
As Terras Salgadas correspondem a uma extensão de planície localizada a norte da ilha do Maio. As áreas húmidas temporárias, acolhem várias espécies de aves marinhas, peixes e tartarugas do mar e são locais de hospedagem de aves migratórias. As Terras salgadas estão classificadas como Reserva Natural Protegida, onde se destacam as dunas, as formações das lavas e os ecossistemas marinhos. Esta Reserva Natural é circundada pelas aldeias de Morrinho, Cascabulho, e Santo António, pela Baía de Santana a noroeste e pela Baía Galeão a nordeste. Nesta região podem realizar-se vários percursos pedestres, como por exemplo na praia real, praia do cais, praia de porto cais, praia de boca lagoa, praia de pau seco, nas sete áreas protegidas e maravilhas naturais.